A história de Fátima e a Casa Leitão – Entrevista

Mai 5, 2021 | Notícias

Entrevista a Jorge Leitão sobre a origem de Fátima Jewels

1. Como começou a relação da Leitão & Irmão com Fátima

J. Leitão – Eu acho que, na realidade, a relação começou antes das aparições, que ocorreram em 1917. A relação começou com uma encomenda do nosso Rei D. Luís, em 1877, para o Jubileu do Papa Leão XIII, se não estou em erro. Fez-se um cálice muito bonito, que está hoje em dia exposto no tesouro do Vaticano, e cuja patena diz em latim “Avé Maria Cheia de Graças”. Portanto eu penso que a nossa relação com Nossa Senhora, pelo menos escrita, começou nessa altura, em 1877.

Terá sido na sequência desta encomenda, e da relação com o Vaticano e com a Igreja, que, em 1942, o Santuário de Fátima nos confiou milhares e milhares de joias provenientes de um peditório feito em todo o Portugal, para manufaturar uma coroa para Nossa Senhora de Fátima. Esses milhares de joias oferecidas foram desfeitos na Casa Leitão, para aproveitar o ouro. Foi também oferecida pela Casa leitão a coroa que, desde 1946, ano em que foi coroada, a Nossa Senhora usa nos dias de grandes peregrinações, nomeadamente no dia 13 de maio.

2. As coroas para a imagem de Nossa Senhora de Fátima sugiram como um presente por Portugal não ter entrado na Segunda Guerra Mundial, o que originou a manufatura não de uma, mas de duas coroas. O que nos pode contar sobre isso? Que diferenças apresentam as duas coroas?

J. Leitão – Nossa Senhora é uma mulher e as mulheres não têm uma roupa só. E, portanto, muito naturalmente, tem uma coroa para momentos de grandes cerimónias e uma coroa para usar todos os dias.

3. A Coroa Preciosa tem uma história importante com o Papa João Paulo II. O que aconteceu?

J. Leitão – As histórias de Fátima com o João Paulo II são muitas e não me cabe a mim contá-las, mas a história curiosa posso contar. A coroa é uma coroa de Rainha porque tem oito hastes fechadas, atributo característico de coroas de uma rainha ou de um rei com reino, que reina. Quando foi feita em 1942, como qualquer coroa de hastes fechadas, estas unem-se num dado ponto em cima, onde é pousada uma esfera, que se chama orbe e que representa o mundo, e em cima dessa esfera está uma cruz, havendo na parte de baixo da esfera um vazio.

Se não me engano em 1981, o papa João Paulo II, no dia 13 de maio, sofreu um atentado no Vaticano. Não era um papa muito dedicado a Fátima, mas quando não morreu entendeu que teve uma interseção divina para não morrer. Como era dia 13 de maio, pediu o dossier de Nossa Senhora de Fátima.

Vale a pena fazer aqui um parêntesis porque há outra pessoa que também acha que ouve uma interseção divina: o médico que o operou e que diz que o percurso da bala não é um percurso que seja compreensível. E há uma terceira pessoa que também acha que houve uma interseção divina: o assassino, que se chama Mehmet Ali Ağc e esteve preso e está muito incomodado porque é um bom assassino, é um bom profissional, e também entende que só a interseção divina é que não matou o papa. Isto dá para rir um bocadinho, mas corresponde à realidade.

O facto é que, depois de salvo, o Papa pegou numa das balas que lhe foi extraída do corpo e ofereceu-a ao Santuário de Fátima. Isto ocorreu no Vaticano, na presença da imagem de Nossa Senhora com a coroa que a Casa Leitão fez. O senhor reitor à época, o Padre Luciano Guerra, trouxe a bala e ficou sem saber o fazer com esta. Teve alguma inspiração, também divina, dirigiu-se à coroa e, no local onde se encontram as oito hastes de uma coroa de rainha, por baixo da orbe, que representa o mundo, estava um vazio do mesmo calibre da bala. Ali se colocou e ali está hoje.

4. Em breve irá estrear o filme Fátima. Qual a ligação da Leitão & Irmão com este projeto? Como começou e de que forma esteve envolvida?

J. Leitão – Em 2010, quando vem cá o Papa Bento XVI, numa fantástica e lindíssima missa dita na Praça do Comércio, em que esta estava cheia até ao Rossio – nunca ninguém tinha posto tantas pessoas naquela Praça – o Papa Ratzinger sugeriu que se começassem, desde logo, as comemorações do centenário de Fátima.

Eu estava nessa missa, na segunda fila, com o meu filho – um privilégio ter uma criança que vai à missa, é uma raridade –, e comecei a pensar “O que é que vamos fazer para o centenário de Fátima?”. Tínhamos realmente feito a coroa em 1942, portanto partimos do tema da coroa e desde 2014 estamos muito próximos do centenário das aparições de Fátima.

Neste sentido, fui a diferentes congressos sobre o tema de Fátima, nomeadamente o Congresso para Nossa Senhora de Fátima para a América Latina e Caraíbas, que ocorreu em Porto Rico. Vale a pena registar este momento porque mostra que existe Fátima em todos os cantos do mundo: é o maior fenómeno que existe no mundo, é a maior presença de Portugal no mundo. Neste congresso conheci a realizadora do filme Fátima e desde aí que ficámos com uma ligação grande, “a pôr o filme de pé”, colaborando sempre naquilo que nos foi possível, para a concretização do filme Fátima, que deveria ter saído em 2017. Lamentavelmente não aconteceu, estreou no ano passado, 2020, nos Estados Unidos da América, como assinalável sucesso. Penso que estreará na Europa em 2021. Assim, a nossa ligação com o filme de Fátima tem realmente a ver com uma forte ligação que a Casa teve com o centenário das aparições.

5. O que originou a criação do site Fátima Jewels com loja online? Para além das coroas de Nossa Senhora de Fátima, que peças destaca desta coleção?

J. Leitão – A coleção Fátima Jewels começou com criação das peças para o centenário das aparições de Fátima. Em 1942 tínhamos feito a coroa para Nossa Senhora. Pensamos fazer pequenas coroas. Mas não faria qualquer sentido disponibilizar reproduções da coroa de Nossa Senhora de Fátima. Assim, fomos à procura de quem fez a escultura de Nossa Senhora que desde 1920 está na Capelinha das Aparições. Encontramos o sobrinho de quem fez a imagem original. Ainda hoje é escultor santeiro no Norte de Portugal. Pedimos-lhe que fizesse uma pequena Nossa Senhora, com base nos moldes que tem desde entre 1920 e 1922. O senhor Thedim, é assim que se chama, fez-nos uma miniatura de Nossa Senhora que nós reproduzimos em prata, aqui na oficina, coroámo-la com uma miniatura da coroa de Nossa Senhora de Fátima, sendo esse o produto que vendemos durante o ano do centenário.

Daí para a frente, nasceu a possibilidade de fazer uma variedade de produtos que tenham a ver com este tema tão querido – que no meu entender ultrapassa a fé católica sendo a fé portuguesa – o tema de Nossa Senhora de Fátima. Há, portanto, uma variedade de peças de uma coleção que se chama Fátima Jewels, que apela à paz, ao amor, assim como a Nossa Senhora, que quando foi coroada em 1946 foi coroada rainha da paz e do amor.

6. Antes da Fátima Jewels existia o ”100 anos de Fátima”. Como chegaram ao novo site e o que mudou?

J. Leitão – Realmente o mundo de 1917, para 2017, mudou muito e, por isso, fomos começando a trabalhar a realidade digital, a possibilidade de, digitalmente, se estar em todo o mundo ao mesmo tempo. A partir de 2020, com a pandemia, isso passou a ser uma necessidade. Portanto tivemos aí um novo impulso para que a coleção Fátima Jewels exista essencialmente online, disponível em qualquer sítio do mundo, sempre com a marca de ser o evento português que tem maior repercussão em todo o mundo e que dura há mais de 100 anos.

7. As pessoas podem ver estas peças nas lojas físicas? A partir de quando?

J. Leitão – As peças estarão disponíveis na loja física a partir de 13 de maio, do corrente ano 2021, no Chiado, e estarão principalmente disponíveis online, em qualquer sítio do mundo.

8. Qual a mensagem desta coleção, que para si, vai para além da figura religiosa da Nossa Senhora de Fátima?

J. Leitão – As mensagens são diversas, mas eu acho que a principal mensagem é uma mensagem de paz, porque Realmente Nossa Senhora foi coroada Rainha da paz. Também tem uma mensagem de sensualidade e de eternidade porque a maior parte das peças são em ouro e o ouro é um metal que não se altera, que não oxida, e que daqui a 100 anos estará como está hoje. Assim, eu penso que os principais valores de Fátima, que são comuns a toda a humanidade e não em exclusivo da cristandade, são como o ouro, duram para sempre.